quarta-feira, 11 de março de 2015

A grande contribuição do Danillo Farias, estudante do CC DRN:

“Nas aulas de Desenvolvimento Regional e Nacional percebi a conexão de todos os temas com a atitude da humanidade mais especificamente para as atitudes do homem para com ele mesmo e tendo como base no "Profeta Gentileza", no vídeo "corrente do bem", na citação do posto de saúde "faça você mesmo", fiquei imaginando que poderíamos utilizar para nossas discussões um termo do Sociólogo Sergio Buarque de Holanda denominado "Cordialidade". Podemos discutir inúmeras formas de desenvolvimento e dentro desse imenso campo de possibilidades o "homem" sempre vai estar, e para que tudo aconteça vai depender de sua psique nos desdobrar das suas atitudes para com o próximo e si mesmo. E como pensar em desenvolvimento regional com uma atitude individualista em que nós nos encontramos hodiernamente? Como podemos ajudar nossa comunidade pensando somente no individual e esquecendo-se do coletivo? O que nossa história nos condiciona? Para isso indico uma referência sobre o termo acima mencionado nos links seguintes:"



Homem cordial. Conceito formulado por Sérgio Buarque de Holanda em seu clássico livro, o programa fala do "homem cordial". A família patriarcal e a herança rural na formação social brasileira, a relação entre o público e o privado e o domínio dos afetos são aspectos de Raízes do Brasil presentes nos livros e na peça em debate em Cidade de Leitores. A apresentadora Leila Richers entrevista o professor de Literatura, falando de uma peça de teatro, a qual é mostrada parte dela. Ótimo vídeo, com música e teatro (O  Patrão Cordial, dramaturgia de Cezar de Carvalho). Não perca. E feita uma entrevista com João Cezar de Castro Rocha, autor de dois livros sobre o homem cordial, que fala sobre o conceito e sobre Sergio Buarque de Holanda, um dos grandes intelectuais do Brasil.

 
 Autor: Sérgio Buarque de Holanda
·         Tradutor:
·         Editora: Penguin-Companhia das Letras
·         Páginas: 111
·         Ano de Lançamento:
·         Preço Sugerido: R$10,90


Cidade de Leitores trata do "homem cordial" de Raízes do Brasil - Parte 2: O publico e o privado na realidade brasileira
Conceito formulado por Sérgio Buarque de Holanda em seu clássico livro, o programa fala do "homem cordial". A família patriarcal e a herança rural na formação social brasileira, a relação entre o público e o privado e o domínio dos afetos são aspectos de Raízes do Brasil presentes nos livros e na peça em debate em Cidade de Leitores. A apresentadora Leila Richers entrevista o professor de Literatura Comparada da Uerj João Cezar de Castro Rocha, autor de O Exílio do Homem Cordial e Literatura e Cordialidade -- O Público e o Privado na Cultura Brasileira, e Sérgio de Carvalho, diretor da peça O Patrão Cordial.

O livro “ O Homem Cordial”. O crítico, historiador e sociólogo paulista Sérgio Buarque de Holanda é um dos maiores intelectuais brasileiros no século XX. Autor de obras capitais, alguns de seus conceitos se tornaram modelos clássicos de interpretação de nossa história. Entre eles se destaca o do “homem cordial”, presente em Raízes do Brasil (1936), seu primeiro livro, no qual o autor investiga as origens de uma forma de sociabilidade brasileira, mais afeita aos contatos informais e à negação das esferas públicas de convívio. Crítico, ele mostra como a “cordialidade” leva a uma relação problemática entre instâncias públicas e privadas. 
Este volume reúne, além de “O homem cordial”, outros momentos altos da produção intelectual de Sérgio Buarque de Holanda: “O poder pessoal” (da coleção História geral da civilização brasileira), “Experiência e fantasia” (de Visão do Paraíso), “Poesia e crítica” (de O espírito e a letra) e “Botica da natureza” (de Caminhos e fronteiras). O conjunto é uma excelente introdução ao pensamento do autor, ou a oportunidade de voltar a esses textos fundamentais, que aliam o rigor metodológico do grande historiador e crítico à fluência narrativa do mestre da língua.

 Enviado em 22 de mai de 2010. Olha ai o Chico falando... A personalidade do brasileiro tem algo de homem cordial, aquele que” sobe para cima do muro”, para não ter briga?
Trecho extraído de "Chico - Ou O País Da Delicadeza Perdida", documentário que Chico Buarque estrelou para a televisão francesa em 1990. Produzido em 1990 e lançado em DVD em 2003 pela BMG. Este trecho possui um comentário do Chico Buarque sobre A Teoria do Homem Cordial formulada pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, pai de Chico Buarque. Produção Videofilmes. Direção - Walter Salles, Nelson Motta. Narração Paulo Jos


Abaixo, o texto e imagens extraído da pagina http://www.posfacio.com.br/2012/05/17/o-homem-cordial-sergio-buarque-de-holanda/. Feita por Dindi Coelho.  em 17 de maio de 2012

        
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Aqui em São Paulo é comum encontrarmos crachás e guarda-chuvas sendo usados como guarda-lugares das mesas em praças de alimentação de shoppings e restaurantes, para que as pessoas consigam garantir um lugar para comer sem ter que ficar procurando e esperando com uma bandeja de almoço nas mãos. Provavelmente, essa prática se repete em outras cidades e situações, como quando um amigo guarda lugar para o outro em uma fila ou na cadeira ao lado em uma sala de cinema. Esse hábito nada correto, mas muito usado pelo brasileiro, pode até esbarrar nas leis, por exemplo, quando dois carros se chocam e os motoristas decidem atribuir a culpa àquele que tem seguro, ou ainda quando encontramos formas de não pagar um imposto ou conseguir algum benefício.
Os exemplos são muitos e provavelmente você já se deparou com alguma situação em que o nosso lado “malandro” ou o “jeitinho brasileiro” falou mais alto. Para Sérgio Buarque de Holanda, esse hábito do nosso povo é o que o torna um homem cordial, termo presente em um de seus ensaios. A palavra cordial, no entanto, nos leva para um lado mais polido, que não é o sentido que o autor quis atribuir, e ele mesmo se resguarda disso em seu texto. É fato que o brasileiro é conhecido por ser hospitaleiro, alegre e festeiro, mas não seriam tão conhecidos pela educação ou polidez, como os japoneses e outros povos. A palavra cordial, nesse caso, remete ao latim cordis, que significa coração. O homem cordial é, assim, alguém que age com o coração ao invés da razão.
Para o autor, o brasileiro carrega uma herança já de Portugal e, mais do que isso, indígena e africana, que o torna mais voltado à família patriarcal e amizades. Além disso, temos um cenário de poder instaurado que não permite diálogo entre quem governa e quem é governado. Para o homem cordial, a esfera pública é uma extensão da esfera privada, quando elas, na verdade, deveriam ser opostas. Isso gera um problema de entendimento de leis em prol de interesses próprios. Além disso, segundo o autor, “a própria gestão política apresenta-se como um assunto de seu interesse particular”, e isso explica o hábito, até hoje visto, de políticos levarem parentes e amigos à cargos públicos. O problema está, como o autor indica, no crescimento das cidades e na não-distinção entre o que é público e privado:
“No Brasil, onde imperou, desde tempos remotos, o tipo primitivo da família patriarcal, o desenvolvimento da urbanização – que não resulta unicamente do crescimento das cidades, mas também do crescimento dos meios de comunicação, atraindo vastas áreas rurais para a esfera de influências das cidades – ia acarretar um desequilíbrio social, cujos efeitos permanecem vivos ainda hoje”.
Com o crescimento das cidades, o homem se vê obrigado a ser individualista. A cordialidade é também, de certa forma, uma negação a isso, pois ela aproxima as pessoas e cria uma esfera nova de regras, como num círculo familiar. No fim da análise, Sérgio Buarque de Holanda mostra como até mesmo a nossa religião é “cordial”, uma vez que não é rígida nas formas da oração e chega a aproximar os santos, de um jeito que poderia ser julgado até mesmo como desrespeitoso em outros países, como é o caso da Santa Teresinha (Teresa de Lisineux).
O homem cordial foi publicado pela primeira vez em 1936, no livro “Raízes do Brasil”, primeiro de Sérgio Buarque de Holanda, em uma época em que o brasileiro começava verdadeiramente sua busca por uma identidade (a partir da semana de arte de 22). A Penguin-Companhia apresenta o texto, na íntegra, em um livro que leva o mesmo nome. Junto desse ensaio, o leitor encontrará outras das principais obras do autor, como “O poder pessoal”, que é uma análise do império brasileiro no século XIX, através de relações de poder do imperador que, aos poucos, se perdem; “Experiência e Fantasia”, que é uma crítica sobre a falta de fantasia nos registros quinhentistas dos portugueses sobre o Brasil, além de “Botica da natureza” e “Poesia e crítica”.



Sérgio Buarque de Holanda
O Capítulo V sobre o "homem cordial" aborda características que nos são próprias. O "homem Cordial" apresenta inicialmente uma oposição entre o círculo familiar e o Estado, um jogo de relações diferentes. Encontram-se presente os dois princípios de Sófocles: Creonte encontra a nação abastra, impessoal da cidade em luta contra essa realidade concreta e tangível que é a família, e Antígona contra as ordenações do Estado, atrai sobre si a cólera do irmão, que não age em nome de sua vontade pessoal, mas da suposta vontade geral dos cidadãos, da pátria. Nessa relação observa claramente um verdadeiro conflito, que se encontra presente ate hoje, de família e Estado.
O resgate de uma Educação familiar dotada de limitações e valores tende cada vez mais, a separar o individuo da comunidade doméstica, de libertar-los por assim dizer das "virtudes" familiares, sendo um dos princípios básicos da velha Educação a obediência que é dotada de regras e opiniões. Essas limitações e padrões familiares são impostos desde muito cedo pelo circulo doméstico. A criança era forçada a ajustarem-se, aos interesses, atividades, valores, sentimentos, atitudes, crenças adquiridas no convívio familiar. E a oposição à família que ditava valores passa com a exigência de uma Sociedade de homens livres e de inclinação cada vez mais igualitária.
Em nosso País o tipo primitivo da família patriarcal, e o desenvolvimento da urbanização, criaram um "desequilíbrio Social", cujos efeitos mantêm-se vivos ate hoje. Devidos a Max Weber a fim de elucidar o problema e dar um fundamento sociológico a caracterização do "homem Cordial", conceitua de "Patrimonialismo" e "Burocracia", fazendo uma relação aos interesses objetivos e as capacidades próprias que são inerentes a esse "homem cordial".
Max Weber ressalta a separação do funcionário "patrimonial" e do "burocrata". O funcionário patrimonial encontra-se ligado aos interesses pessoais e o burocrata aos interesses objetivos, mas salienta que para exercer funções publicas, o homem faz de acordo com as confianças pessoais e não com suas capacidades próprias. O funcionário patrimonial pode com a progressiva divisão das funções e com a racionalização, adquirir traços burocráticos. Mas em sua essência ele é tanto mais diferente do burocrático.
O "homem cordial" não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva, inclusive suas manifestações externas, não necessariamente sinceras nem profundas. A Cordialidade é um traço definido brasileiro, mas encontra-se em expressões de fundo emotivo, carregado por manifestações de um "homem cordial" e estas por sua vez são espontâneas, porém uma cordialidade "mascarada", onde o individuo consegue manter uma posição ante o social.
A vida em Sociedade no "homem cordial" é antes um viver nos outros, de certo modo, uma libertação da agústia que sente em viver consigo mesmo. Dentro dessa visão Nietzsche enfatiza que "Vosso mau amor de vós mesmos vos faz do isolamento um cativeiro".
Por fim, o capitulo faz uma exaltação dos valores cordiais. Que no domínio da lingüística o modo de ser dos brasileiros empregam as terminações em "inho", os chamados diminutivos. E o caráter intimista e popularista do brasileiro com aversão a religião e a devoção que é explicável porque no ambiente que vivemos não é comum a reação de defesa, o brasileiro recebeu o peso das " relações de simpatia", que dificulta a incorporação normal a outros agrupamentos. Por isso não acha agradáveis às relações impessoais características do Estado, procurando reduzi-las ao padrão pessoal e afetivo.
REFERÊNCIA:
HOLANDA, Sérgio Buarque de. O homem cordial. In: Raízes do Brasil: 26 ed. São Paulo: companhia das letras, 1995.
O Capítulo V sobre o
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