sexta-feira, 17 de abril de 2015

Respostas da Monaliza e do Antonio França sobre texto da sustentabilidade

Leitura dirigida do Texto “Sustentabilidade, uma visão humanista”

a) Como muitas ONGs compreendem o conceito de sustentabilidade?
Muitas ONG’s adotam um posicionamento crítico em relação a definição oficial de desenvolvimento dos governos e agências internacionais. As ONG's entendem sustentabilidade como o princípio estruturador de um processo de desenvolvimento centrado nas pessoas e que poderia se tornar o fator mobilizador e motivador nos esforços da sociedade para transformar as instituições sociais, os padrões de comportamento e os valores dominantes.
b) Quais efeitos da falta de precisão do conceito de sustentabilidade?
A falta de precisão no conceito de sustentabilidade, segundo o texto evidencia a ausência de um quadro de referência teórico capaz de relacionar sistematicamente as diferentes contribuições dos discursos e campos de conhecimentos específicos. Ou seja, a sustentabilidade envolve o conhecimento em diversas áreas, e esta precisão ser organizados de modo sistemático para que desse modo não venha mais existir uma lacuna no conceito do que é sustentabilidade e suas implicações.
c)Por que a fórmula da equação teórica que toma em considerações variáveis como economicamente viável/socialmente equitativo/ecologicamente sustentável não tem resultados satisfatórios? (em outras palavras: conseguir as três coisas ao mesmo tempo na prática ainda não está acontecendo?
Os resultados satisfatórios não são vistos por que estas variáveis supracitadas não são colocadas em prática, como diz o texto: “O conceito de sustentabilidade transcende o exercício analítico de explicar a realidade e exige o teste de coerência lógica em aplicações práticas, onde o discurso é transformado em realidade objetiva (RATTNER,1999, p.1).''
d) Porque a precisão do uso do conceito de sustentabilidade necessita de um teste prático?
Avaliar a veracidade dos conceitos de sustentabilidade por meio de suas aplicações é de fundamental importância, precisa – se saber se eles tem logística para uma real aplicação na sociedade, e para isto podemos levar em consideração fatores como o respeito aos direitos humanos e quantidade de recursos financeiros primeiramente. Posteriormente surgiram outras questões que precisam ser avaliadas para o sucesso na implantação do conceito de sustentabilidade indo além da teoria.
e)Qual é o discurso dominante sobre sustentabilidade entre economistas?
“O argumento central desenvolvido pelos economistas em favor da sustentabilidade gira em torno da noção de eficiência no uso dos recursos do planeta. A alocação eficiente do uso de recursos naturais, respeitando ao mesmo tempo as preferências dos indivíduos, seria melhor executada em um cenário institucional de mercado competitivo. As possíveis distorções desse mercado poderiam ser corrigidas pela internalização de custos ambientais e/ ou eventuais reformas fiscais, coletando – se mais taxas e tributos dos responsáveis pelos processos poluentes. A sustentabilidade seria alcançada pela implementação da racionalidade econômica em escala local nacional e planetária.
Mas, para alcançar uma redução nos níveis globais do consumo per capita, controles severos são recomendados, para serem impostos por uma autoridade internacional um tanto abstrata. O brado por “limites de crescimento’' também tem consequências sociais e éticas   tendo em vista as disparidades regionais e internacionais(RATTNER,1999, p.2).''
O trecho relata que o discurso dominante dos economistas gira em torno da eficiência no uso dos recursos existentes em nosso planeta, entendo isso como dizer um não a toda e qualquer espécie de desperdício. Depois é proposto uma medida para cobrar maiores taxas e tributos das empresas que geram poluentes, a importância de uma “autoridade internacional um tanto abstrata’' com um posicionamento severo buscando diminuir o consumo por pessoa.
f)Qual é a contribuição da sociologia para o conceito de sustentabilidade?
“As premissas dos sociólogos de que os pobres são as principais vítimas da degradação ambiental é subjacente à ligação entre equidade e sustentabilidade. Presumindo que as raízes da degradação ambiental são também responsáveis pela iniquidade social, este discurso postula a inseparabilidade analítica entre ecologia e justiça em um mundo caracterizado por fragmentação social, apesar de seus problemas ambientais comuns. A pressão sobre os recursos naturais têm que ser relacionada à práticas de distribuição injustas, dependência financeira e falta de controle sobre a tecnologia, comércio e fluxo de investimentos. Uma análise sistêmica desse processo de retroalimentação circular revela o relacionamento político e social conflituoso que destrói a base de reprodução da natureza e dos grupos sociais que dela dependem.(RATTNER,1999, p.3)''
A contribuição vem a partir da relação feita pelos sociólogos das desigualdades sociais e sua forte relação com a questão da sustentabilidade.
g)Exemplifique um ciclo vicioso da insustentabilidade.
O autor destaca o crescimento do produto mundial bruto e o também crescimento da quantidade de pessoas pobres que passam por situações de fome, logo mais ele diz que as práticas de crescimento rotineiras que presenciamos hoje causam gigantescos problemas ocultos em nossa sociedade e no meio ambiente.
h)Qual a consequência dos custos sociais ambientais e ocultos durante o crescimento econômico? (ver filme a origem das coisas)
“As práticas de crescimento econômico convencionais resultam em enormes custos socioambientais ocultos” (RATTNER, 1999, p. 3).
Segundo o que foi visto no filme a origem das coisas as consequências são sérios problemas ambientais, econômicos, de saúde e outros, simplesmente compramos e descartamos determinados objetos quando eles não nos servem, mas de onde vieram? Com que são feitos? Pra onde vão? São questionamentos tão necessários e ainda sim prosseguem sem resposta, para nós é muito mas fácil obter o produto com o nosso dinheiro sem pensar no restante.
A moça do vídeo(não sei o seu nome) fala que os livros diziam que as coisas se deslocavam ao longo de um sistema, o mesmo era composto por: extração, distribuição, consumo e tratamento de lixo, porém estes funcionam de modo linear sendo que nosso planeta e finito. Ela também deixa claro que este sistema descrito nos livros oculta muitas coisas como: a existência de seres humanos que vivem tanto  na parte extrativa até a do tratamento de lixo, o governo e seu objetivo não cumprido de lutar pela população, as corporações(empresas), exploração de recursos naturais – que são usadas em tão demasiada quantidade que se esgotam mais e mais a cada dia, exploração dos países pobres(3° mundo) por parte dos países mas ricos(1° mundo), a junção de químicos tóxicos com recursos naturais para produzir produtos que nós usamos no dia a dia de modo natural mas que nos expõem a toxinas e outros.
Pg3-4:
i) Como os custos socioambientais são transferidos a toda a sociedade?
“As práticas de crescimento econômico convencionais resultam em enormes custos socioambientais ocultos. Estes costumavam ser externalizados ou transferidos a toda a sociedade, com os ganhos e benefícios do crescimento apropriados por uma minoria.(RATTNER,1999, p.3)''

O correto seria uma distribuição também igualitária para toda população nos “ganhos e benefícios do crescimento’'mas como afirma Rattner no trecho supracitado, isso não ocorre. Sendo válido ressaltado que aqui estamos falando dos “enormes custos socioambientais ocultos’'' que permeiam toda sociedade, porém a ”parte boa’' fica com a minoria.

j) Onde se origina a crescente falta de governabilidade e instabilidade social, a qual não é somente restrita a países subdesenvolvidos?

A população vem crescendo e exigindo dia após dia mas das partes dos governantes os seus direitos e o governo tem padecido da escassez do capital resultante e o não incentivo a tecnológica que gera desemprego e recessão, deste modo o governo tem menos dinheiro e essa é a origem da crescente falta de governabilidade e instabilidade social que ocorre em toda a sociedade contemporânea, fora algumas exceções.(RATTNER, 1999.p 4)
Videos que enriquecem o texto sobre consumismo

1) Video "Nos hipotecamos o futuro", por  Zigmund Bauman
Neste texto há uma interessante interpretação de novos movimentos entre os jovens de paises ricos, como a França, entre outros, que depredam lojas e queimam seus produtos nas ruas. Segundo Bauman, é uma revolta por serem excluidos do consumo. Vale a pena. 

2) Vale a pena rever o vídeo "História das coisas", que vimos em sala de aula, e que também aborda assuntos do texto sobre o consumismo. 


3) Consumir é uma escolha. Voce sabe todas as consequencias ligadas a ela? 

4) Yves de La Taille - Cultura da Vaidade e Consumo
https://youtu.be/8YDuCVaOwrQ

7:00 O que é um vencedor hoje? 9:50 Vergonha X orgulho 11:50 Cultura do Espetáculo 20:20 Valorização: autoridade ou celebridade? 22:10 Porque as pessoas consumem tanto?

5) Por favor, sugira outros
Perguntas sobre o texto “O império do consumo”, de Eduardo Galeano.

O autor fala que o consumismo se transformou em uma ditadura da uniformização obrigatória. Você teria argumentos dele ou seus para suportar esta afirmação? OU você discorda do autor?

No texto há argumentos que dizem que para a globalização, é essencial o consumismo. Você conseguiria escrever este argumento do autor? Teria você algum argumento seu para suportar esta ligação? Caso você discorde, qual seria o seu argumento?

No texto abordamos em sala de aula o conceito de custo oculto, ou seja, o custo social e ambiental. Ele também é abordado no texto. E afirma “ O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos”. Fale sobre o custo oculto e comente esta afirmação do autor.

O que o autor quer dizer ao dizer “a plastificação da comida...”?


Qual a relação entre solidão e consumismo?
O império do consumo
Por Eduardo Galeano
A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?
A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.
A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.
O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.
“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.
 Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.
O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel par trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.
Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.
O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.
Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.
As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.

Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.
Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.
As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.
A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.
Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.
As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.
Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?
O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.
O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.
A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.
Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.
O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?
A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.

A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

sexta-feira, 27 de março de 2015

A Luzia começou a responder as perguntas. Vamos continuar?:
a)       Como as ONGS compreendem o conceito de sustentabilidade?
R- É a aplicação pratica onde o  discurso  é transformado em realidade objetiva, desenvolvimento centrado nas pessoas, mudança dentro de nós mesmos, sensibilização aceca de consumo, e respeito as gerações futuras,  integrar metas e valores derivados das teorias sobre progresso técnico e produção e  conservação dos recursos naturais e do meio ambiente.

b)      Quais os efeitos da falta de precisão do conceito de sustentabilidade?
Esta situação reflete a indecisão prevalecente das elites em definir um plano e programa  de   ação  coerentes que aceitem e incorporem as crescentes criticas dirigida ao modelo de desenvolvimento convencional e ainda dominante.

A discursão teórica, portanto, revela  uma luta disfarçada pelo poder entre diferentes atores sociais, competindo por uma posição hegemônica , para ditar  diretrizes  endossar representações simbólicas de sustentabilidade, seja em termos de biodiversidade,  sobre vivencia do planeta ou de comunidades  auto suficientes e autônomas.
Contribuição do Emerson sobre o racismo e a violência contra a mulher

1) Veja o clipe, feito artesanalmente por jovens americanos, sobre o racismo. Sera que se fizéssemos este vídeo "pegadinha", você não cairia na charada dele? Qual a percentagem de pessoas que iriam cair nesta armadilha?
Link do vídeo: https://www.facebook.com/video.php?v=10152668731392599






2)Texto do Emerson sobre a violência contra a mulher: Antigamente denominava-se mulher vulgar como uma mulher de vestis curtas, com batons com cores fortes e chamativo, de gargalhadas com intonação alta, dada a um comportamento sensual e indiscreto. É exatamente esta mulher que o moralismo e os preceitos sócias sempre denominou vulgar: a mulher que não se apega às amarras que o pudor lhe impõe. 
O dogma da mulher vulgar não é apenas proveniente da mais miserável ignorância: é cruel.
A vulgaridade é uma espécie de condenação social generalizada à mulher que se assume dona de si. À mulher que se nega ao pudor e à hipocrisia. Por isso mesmo, e não por acaso, é tão incomum ouvirmos falar em “homens vulgares”. Aos homens, damos o direito à promiscuidade, ao despudor ao que é imoral.
A vulgaridade é uma espécie de condenação social generalizada à mulher que se assume dona de si. À mulher que se nega ao pudor e à hipocrisia. Por isso mesmo, e não por acaso, é tão incomum ouvirmos falar em “homens vulgares”. Aos homens, damos o direito à promiscuidade, ao despudor ao que é imoral.A mulher vulgar é aquela que tem medo de mostrar-se tal qual ela é. É quem não esconde os seus desejos, as suas propensões promíscuas – as quais, em maior ou menor proporção, todas têm. É o modo sutil que a sociedade encontrou de ditar-nos o comportamento, de conter-nos a liberdade, de nos rotular. Vulgar é a amante, a Geni, a meretriz. Somos vulgares quando não camuflamos nossos desejos.
O mundo que quer a mulher meiga, correta e submissa costuma atribuir a vulgaridade à mulher livre. Hoje eu amo a vulgaridade. Eu amo o batom vermelho. Eu amo as bebidas fortes. Amo esse nosso direito de ser quem somos. Porque para quem compreende o sentido da liberdade e da igualdade, a liberdade é um mito.

 Vídeo sugerido por ele: https://www.youtube.com/watch?v=14lJee938es


Versão reduzida do texto

A tríade ensino-pesquisa-extensão e os vetores para o desenvolvimento regional   Carolina Freddo Fleck1


Resumo
Este ensaio tem como objetivo principal apresentar a construção de um modelo teórico que poderá ser utilizado como base de resposta ao questionamento sobre o papel da universidade no contexto do desenvolvimento regional. O ensaio pretende apresentar um modelo teórico de inserção desenvolvimentista e estruturante das universidades nas economias regionais à luz dos teóricos do antigo institucionalismo econômico, procurando demonstrar que as Instituições de Ensino Superior - IES constituem-se como fontes formadoras de subsídios para o desenvolvimento regional, a partir da participação de indivíduos como agentes transformadores, dentro do contexto da tríade ensino-pesquisa-extensão. Para tal serão apresentados a seguir os principais elementos de construção deste modelo, seguidos de dois tópicos de revisão das teorias que o sustentam – desenvolvimento regional e teoria institucional. Por fim, as considerações finais apresentarão uma avaliação crítica sobre o modelo teórico proposto.

Introdução
A questão desenvolvimento, e mais especificamente o desenvolvimento regional, ganha espaço constante nas discussões atuais e nos apontamentos das políticas públicas sobre as ações a serem evidenciadas. Entre elas, pode-se destacar a prioridade nas ações públicas em prol do desenvolvimento regional, como visto nos incentivos dados ao desenvolvimento do ensino superior pelo governo federal nestes últimos anos (PNDR, 2009). No entanto, o incentivo por meio de investimentos em Universidades já existentes e na criação de outras tem apresentado falhas de ordem institucional, as quais se contrapõem ao ponto mais crítico de sua intenção. As universidades instaladas para apoiar a proposta de desenvolvimento de regiões fundamentam-se em modelos tradicionais de implantação que acabam negligenciando as especificidades dos locais nos quais foram criadas.
Neste ensaio, apresenta-se a proposição de um modelo teórico que tem por base demonstrar o papel dos indivíduos na formação de competências territoriais da “instituição” universidade, e não da “estrutura” universidade, para o desenvolvimento regional. Entretanto, antes de tratar do papel das universidades como instituições fomentadoras do desenvolvimento regional, do seu papel como instituição e de sua função de fonte de subsídios para o sucesso de alguns vetores de desenvolvimento que podem ser consolidados a partir da tríade ensino-pesquisa-extensão (proposição aqui sustentada), é necessária a solidificação de alguns argumentos teóricos, além da justificativa de onde se dá a aderência para sustentar a construção e apresentação do modelo teórico deste trabalho.
As teorias que consolidam o modelo partem, primeiramente, de uma reflexão crítica das teorias de desenvolvimento regional. Os modelos emergentes dessa teoria dão ênfase a um modelo desenvolvimentista baseado em ativos únicos e das circunstâncias da região, bem como o incentivo ao crescimento de indústrias baseadas em conhecimento. O melhor desempenho de uma região seja em termos econômicos, sociais ou humanos, somente resulta fortalecido naqueles territórios que contam com um sistema institucional evoluído e complexo. Sendo assim, torna-se necessária uma integração deste sistema institucional nos territórios, caracterizados por densas redes de relações, envolvendo empresas, instituições de ensino e de pesquisa, associações de empresários, sindicatos e governos locais, de forma a utilizar com maior eficiência os recursos disponíveis e melhorar assim sua complexidade (BARQUERO, 2002).

Desenvolvimento Regional
Os estudos que abordam a questão do desenvolvimento permeiam as abordagens das ciências sociais aplicadas, humanas e da saúde, sempre de forma a identificar como se dá o funcionamento do processo de desenvolvimento a partir das formas como estes desencadeiam ou entravam, aceleram ou desaceleram, diferenciam ou aproximam países e regiões em suas características.

No entanto, deve-se ressaltar que mais do que um conceito para bem estruturado e que passa a ser utilizado nas discussões sobre o futuro dos Estados/ Países, o conceito de desenvolvimento deve sempre ser exposto como um processo de mudanças contínuas, intensamente complexo, que envolve transformações não somente de ordem econômica como transformações de ordem política e, fundamentalmente, de ordem humana e social. “Pensar em desenvolvimento é, antes de qualquer coisa, pensar em distribuição de renda, saúde, educação, meio ambiente, liberdade, lazer, dentre outras variáveis que podem afetar a qualidade de vida da sociedade” (OLIVEIRA, 2002, p. 8).

Portanto, ao tratar-se de desenvolvimento como um processo complexo – como realmente é – e que envolve diretamente a qualidade de vida da sociedade, deve-se também lembrar que como base e fim de toda esta questão estão às pessoas. Apesar de os indivíduos não serem levados em consideração em algumas discussões sobre desenvolvimento econômico, as pessoas são os meios e os fins para o mesmo (OLIVEIRA, 2002).

São as pessoas as responsáveis pelo crescimento do meio em que vivem. Sen (2000) ressalta que mais do que dar início ao processo, estas necessitam de liberdade para vislumbrar o desenvolvimento, que em resumo, pode ser a qualidade de vida que cada indivíduo necessita. Esta liberdade pressupõe que as regiões possuam uma estrutura adequada que capacite e facilite o acesso do indivíduo aos meios que ele necessita para construir ou buscar a qualidade de vida/ liberdade para o desenvolvimento que deseja. Assim, a formação de uma região – estado – país somente é possível pelo envolvimento das pessoas e como tal; devem ser justamente elas o foco fundamental do desenvolvimento e das estratégias de desenvolvimento regional.

O desenvolvimento regional consiste em uma especificação do conceito de desenvolvimento, que busca dar destaque ao resultado das políticas voltadas para esta questão em âmbito global e, confirmar a necessidade de colocar em forma de planejamento estratégias para um racional equilíbrio na utilização e dinamização de um território. Sendo assim, o desenvolvimento regional não deve ser visto como o resultado de uma construção teórica ou acadêmica do conceito de desenvolvimento. A questão do desenvolvimento regional deve ser tratada como uma necessidade atual; como uma forma de gerenciar da melhor maneira possível os fatores de desenvolvimento e adquirir maior participação dos diferentes atores do processo. Deve-se, também, buscar respostas e resultados para as adversidades advindas da economia global especialmente no que diz respeito à atenuação dos desequilíbrios espaciais (CDR, 2009).

Estes desequilíbrios espaciais, no entanto, somente poderão ser atenuados pelo processo que busca o desenvolvimento regional se houver características favoráveis para tal. Existem diversas discussões a respeito destas características favoráveis e como pode ser constituída uma melhor estruturação destas.
O real desenvolvimento regional passa por transformações de ordem econômica, política, humana e social. Para uma real compreensão dos processos de desenvolvimento regional todas as características em torno destas transformações devem ser avaliadas.

O presente ensaio utiliza-se de um conceito mais amplo, pois não se faz necessário dissertar sobre cada uma das características do desenvolvimento regional e sim, explicitar estas como competências territoriais. Este conceito permite abordar as variáveis do processo de desenvolvimento regional em torno de apenas uma idéia que é a de demonstrar que são necessárias ao espaço onde se busca o desenvolvimento algumas competências territoriais; pois estas são a melhor maneira de iniciar um processo de êxito territorial.

De maneira geral, a expressão desenvolvimento territorial tem aparecido com mais freqüência nas ciências humanas e sociais dando um indicativo, mesmo que recente, de que essas ciências vêm revalorizando essas abordagens e da necessidade de se consolidar os termos e ações que os envolvem.
Existe uma lógica de recomposição de hierarquias espaciais que aponta como fundamental uma maior qualidade das relações entre os atores do desenvolvimento, de forma que o potencial humano – que muitas vezes é subestimado – possa ser aproveitado em prol dos chamados pólos regionais. Cada região possui um arsenal de competências que podem ser mais bem aproveitadas e para tal é essencial que os indivíduos envolvidos neste processo possam relacionar-se buscando o desenvolvimento de suas competências nas competências territoriais (PIRES, 2007).

As competências territoriais perpassam a necessidade de que se compreendam as regiões/ países com suas particularidades, e como tais, não podem ser tratadas por “leis” generalistas de desenvolvimento, pois envolvem alguns fatores primordiais. De acordo com Veltz (apud DALLABRIDA, SIEDENBERG e FERNÁNDEZ, 2004, p. 9) o êxito territorial resulta de competências, redes, projetos e instituições. Para que estas competências realmente estejam presentes se faz necessário que se verifiquem alguns fatores influenciadores, como:
1) a competência exige quadros coletivos de ação sólidos; 
        2) a competência desenvolve-se e valoriza-se através da constituição de redes internas e                      externas; 
        3) isto pressupõe uma visão, um projeto, ou seja, uma visão consensuada de futuro e, como                  resultante, 
        4) o desenvolvimento de territórios-regiões tem uma relação direta com a densidade e qualidade        das interações entre atores, o que exige a presença de instituições sólidas e ativas (VELTZ apud           DALLABRIDA, SIEDENBERG e FERNÁNDEZ, 2004, p. 9).

Assim, o desenvolvimento territorial ou desenvolvimento regional “pode ser entendido como um processo de mudança social de caráter endógeno, capaz de produzir solidariedade e cidadania comunitária, e de conduzir de forma integrada e permanente a mudança qualitativa e a melhoria do bem-estar da população de uma localidade ou de uma região” (PIRES, 2007, p. 160). Este processo de desenvolvimento é o resultado de uma ação coletiva intencional, fundamentada no local, ou seja, associada a uma cultura, a um plano e instituições locais, com o objetivo de melhorar os arranjos das práticas sociais (PIRES; MULLER; VERDI, 2006).

Desta forma, o desenvolvimento somente se dá com competências territoriais que apresentem um histórico de, por assim dizer, sucesso. Desenvolver competências territoriais faz parte de um processo de institucionalização de tudo o que for importante para o desenvolvimento de uma região/ território e somente ações coletivas fundamentadas nas ações individuais podem conceber esse processo.

Considerando o amplo apanhado de competências territoriais que uma região possa apresentar, neste ensaio optou-se por discutir apenas aqueles envolvidos no modelo teórico aqui proposto. Sendo assim, no tópico a seguir apresenta-se o percurso teórico realizado para a definição de Instituição, sendo este seguido do tópico de apresentação do modelo teórico onde constam então, como variáveis, as competências territoriais abordadas neste ensaio.

Universidades como Instituições formadoras dos agentes transformadores do Desenvolvimento Regional
A universidade brasileira teve sua origem na universidade portuguesa, mais precisamente quando o Colégio Superior de Évora foi equiparado à Universidade de Lisboa por determinação do rei, e este modelo passou a ser utilizado em outros países como padrão de estruturação para as universidades (BARICHELLO, 2001). Deste período até a atualidade as mudanças pelas quais as instituições de ensino superior passaram transformaram muito o cenário da educação do país (SGUISSARDI, 2000; LUCAS e LEHER, 2001).

O Estatuto das Universidades admitia duas formas de organização do ensino superior: a universidade e o instituto isolado. Ambas poderiam ser oficiais ou “livres”, estando à primeira categoria relacionada àquelas mantidas pelo governo federal ou estadual e a segunda àquelas mantidas por fundações ou associações particulares. (BARICHELLO, 2001, p. 51).

Atualmente as universidades brasileiras continuam a manter essa caracterização relacionada à forma de administração das mesmas, sendo parte pública e parte privada. O que acontece é que essa questão tornou-se ponto de forte conflito. As universidades de administração privada crescem cada vez mais, sem necessariamente crescerem em qualidade, enquanto as de administração pública dependem de novos investimentos dos governos, investimentos que não vinham ocorrendo com tanta ênfase como no atual governo. Essa falta de investimentos gerou por um tempo defasagem de estrutura e a até mesmo no rendimento da qualidade de ensino, além de não possibilitar o aumento do número de vagas nas mesmas, fator este que contribui para que o número de brasileiros em universidades continue restrito a menos de 10% da população nacional. Foi o aumento da demanda por mais universidades públicas e as crescentes demandas das universidades por mais servidores que fez com que o Governo Federal criasse como incentivo o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - REUNI para expansão das universidades federais, bem como políticas para a criação de novas universidades (MEC, 2009).

Justamente o surgimento de diversas demandas e pressões, sejam estas internas ou externas, afetaram a universidade na atualidade. Isso questiona de certa forma sua legitimidade e pode levar a reflexão sobre seus papéis e práticas de relação com a sociedade. A crescente percepção de quão complexos e interdependentes são os fenômenos, sejam eles de natureza econômica, social ou ambiental, exige maior grau de articulação entre diferentes saberes, tanto no interior da academia, quanto entre saberes científicos, bem como outros tantos saberes presentes na sociedade (SCHOMMER, 2006).
Guerra e Barbosa (2006), consideram que a missão das Instituições Federais de Ensino Superior - IFES é colocar produtos, serviços e contribuições sociais (formação de recursos humanos, desenvolvimento científico-tecnológico e tudo que contribui para desenvolver os aspectos socioeconômico-culturais da sociedade) à disposição da comunidade e do governo, satisfazendo suas necessidades. Neste caso, o maior problema se encontra no fato de que apesar do constante aumento do número de universidades, estas têm se constituído sob o mesmo modelo estrutural de décadas atrás; as instituições de ensino trabalham com estruturas hierárquicas rígidas e burocráticas. Este modelo gera dificuldades para as universidades que foram criadas nos últimos anos, como um incentivo do governo para regiões pouco desenvolvidas.

Como forma de trabalhar o desenvolvimento de regiões de economia deprimida, o Governo Federal estabeleceu um programa de Desenvolvimento Regional, no qual prevê, entre outras medidas, a instalação de Universidades Federais com elemento dinamizador destas economias (MEC, 2009). O que o Governo não prevê é que estas universidades, ao instalarem-se nestas regiões, precisam integrar-se ao meio e participar do desenvolvimento regional. Essa participação deve se dar a partir da intervenção dos indivíduos que são e serão capacitados neste processo com as competências necessárias ao êxito territorial.

O desenvolvimento de um país, estado ou região perpassa questões como estrutura econômica, assistência à saúde e acesso a educação de qualidade em todos os níveis. A estruturação e consolidação de políticas em torno destas questões permeiam desde a história de formação do país, bem como as características culturais da população que ali vive. Nesse ambiente de constantes transformações, a educação destaca-se como fator primordial para a construção de uma cidadania mais justa e igualitária.

Neste contexto, as Instituições de Ensino Superior (IES) têm papel fundamental no desenvolvimento dos países e regiões. São as IES as instituições que surgem como uma das fontes de suporte à construção de regiões e países desenvolvidos. As Instituições de Ensino Superior tendem a constituir-se com determinadas características muito particulares do ambiente em que estão inseridas, apresentando estrutura, objetivo, e inserção comunitária distinta.

As discussões acerca de como os países/regiões devem e vem trabalhando seu desenvolvimento decorre de argumentos que buscam explicar essa questão além da necessidade de desenvolvimento econômico. Este fato gerou um processo de reavaliação do papel das IES nas regiões em que estão inseridas, afinal das IES parte a construção do conhecimento e muitas das propostas de melhoria para as regiões através do envolvimento da tríade ensino-pesquisa-extensão. O conhecimento de base - ou aprendizagem econômica – fator imprescindível ao desenvolvimento, exige um número maior de pessoas graduadas e uma orientação do emprego em ensinar; e para tal, é fundamental o fortalecimento das Instituições de Ensino Superior e da melhor compreensão destas sobre as funções que pode desempenhar (OECD, 2007).

No caso das organizações educacionais – institucionalizadas - estas acabam por refletir internamente as “regras” que o ambiente institui sobre educação. São estas, formadas pela ação coletiva que atribuí sobre elas significados “enraizados” pelos mitos e crenças de sua importância, função-fim em termos de construção de uma sociedade com indivíduos mais capazes e preparados. Fica como dado o papel das instituições educacionais em desenvolver estratégias voltadas a construir internamente propósitos que contribuam para o seu desenvolvimento e do meio que a cerca (MEYER, SCOTT e DEAL, 1992).

Cabe então às próprias universidades reconhecer que o ensino superior pode desempenhar um papel-chave, tanto no desenvolvimento local e regional quanto na esfera internacional. Se as IES querem fazer mais pelo desenvolvimento regional, devem buscar mais do que simplesmente educar; deve engajar-se na busca pelo desenvolvimento; fortalecendo os três pilares que a identificam como fonte geradora de desenvolvimento: a tríade ensino-pesquisa-extensão (OCDE, 2007).

Sendo assim, para que a universidade cumpra com o seu papel, faz-se necessária a busca pela realização do seu desenvolvimento, por meio de sua missão, do fazer institucional através das pessoas atuantes, ou seja, seu corpo de funcionários docente e técnico administrativo, acadêmicos; juntamente com empresas locais, órgãos de fomento, governo, fundações, dentre outros.

As instituições educacionais foram e são criadas nas sociedades, como um “braço” para o desenvolvimento regional. São elas as responsáveis por “devolver” há sociedade indivíduos aptos a utilizarem os conhecimentos adquiridos em prol de um desenvolvimento que vai muito além do individual. “A universidade... é a instituição que melhor pode, democraticamente, promover a produção e disseminação do conhecimento e assumir, no mais alto nível, um papel crítico na sociedade” (SCHUCH Jr., 1995, pg. 151). A universidade pode auxiliar processos de reorganização de uma região de economia deprimida; ou mesmo manter economias já mais bem estruturadas que as cercam.

Quando uma nova universidade instala-se em uma região, passa a ser considerada elemento para o desenvolvimento deste território. A interação da universidade com a região onde ela está instalada proporciona certo nível de desenvolvimento econômico. Neste contexto a universidade tem papel preponderante de atender as necessidades de formação dos indivíduos presentes no território onde está inserida como forma de gerar a qualificação necessária ao crescimento.

A expansão da ação individual na ação coletiva de forma a constituir as instituições só se dá a partir de crenças comuns a respeito do que virá a ser ou não uma instituição. As crenças são racionais no sentido em que identificam propósitos sociais específicos e então os descrevem na forma de regras, quais atividades podem ser efetivadas (ou que tipo de atores podem ser empregado) para alcançá-la.

No entanto, estas crenças são mitos no sentido de que dependem para a sua eficácia, para a sua veracidade, do fato de serem amplamente compartilhadas, ou de serem promulgadas por indivíduos ou grupos que têm reconhecido o direito de determinar tais questões. A elaboração dessas regras providencia o clima normativo dentro do qual se espera que as organizações formais floresçam (COMMONS, 1931; SCOTT, 1994; WEBER, 2004).

“Se as organizações são as unidades sociais dominantes na contemporaneidade, é imprescindível entendê-las como eixos de articulação entre diferentes instâncias e capazes de realizarem transformações sociais, ao tempo em que também se transformam” (GOULART, VIEIRA e CARVALHO, 2005, P. 11). É preciso visualizar que muitas organizações por seu papel na sociedade em que estão inseridas, tornam-se institucionalizadas e passam a desempenhar funções importantes no contexto do desenvolvimento. A teoria institucional, explica melhor essa função “instituição” das organizações - a partir dos trabalhos de diferentes autores (COMMONS, 1931; MEYER e ROWAN, 1992; SCOTT, 1992; SELZNICK, 1996) no momento em que indica que as organizações podem inserir-se na localidade onde foram concebidas por diferentes graus e formas; articulando assim os resultados dessa inserção de acordo com a possibilidade de entrar nesse meio. Sendo assim, as IES constituem-se como organizações capazes de articular mudanças importantes na composição da sociedade que a cerca (GOULART, VIEIRA e CARVALHO, 2005) sendo capazes de modificar propósitos de desenvolvimento em prol da estruturação das regiões.

De acordo com Selznick (1996), a institucionalização parte de um processo de construção de uma relação da organização com o ambiente em que esta se insere, a partir das características construídas pelas pessoas inseridas nesta organização e em seu meio, construindo sua história e o desenvolvimento do ambiente à sua volta.

Sendo uma Instituição de Ensino Superior direcionada para apoiar os esforços no sentido de ampliar o escopo de base para o desenvolvimento regional, estas devem buscar mais do que simplesmente educar; devem engajar-se na geração e no acúmulo de conhecimento para fortalecer os setores produtivos, garantindo a absorção de mão-de-obra e a consolidação de uma matriz produtiva regional.
Reconhecer que o ensino superior pode desempenhar um papel-chave no desenvolvimento econômico é um dos mais fundamentais e subjacentes fatores de estratégias de desenvolvimento, tanto a nível internacional como nos níveis nacional e regional (OECD, 2007).

Para que esse papel-chave apareça melhor e realmente seja desempenhado, as Instituições de Ensino Superior precisam ter como objetivo principal a inserção da tríade ensino – pesquisa – extensão a partir da atuação das pessoas como forma de orientar essa tríade dentro das competências territoriais da região onde estão inseridas e não a partir do modelo pré-estabelecido de consolidação das universidades. Neste caso é fundamental que o objetivo principal seja mesmo o desenvolvimento regional.

Retomando algumas considerações sobre competências territoriais, pode-se concluir que para o êxito territorial, ou seja, o pleno desenvolvimento da região é fundamental que se trabalhe questões como: quadros coletivos de ação sólidos; constituição de redes internas e externas; visão consensuada de futuro e, como resultante, densidade e qualidade das interações entre atores através de instituições sólidas e ativas.

Nesse sentido este ensaio tem como propósito apresentar um modelo teórico para o êxito territorial com base na proposição de três vetores principais, conforme apresentado no tópico a seguir. Estes se originam na discussão das competências territoriais fundamentados na consolidação da tríade ensino-pesquisa-extensão.

A tríade ensino – pesquisa – extensão e os vetores para o desenvolvimento regional
Os vetores para o desenvolvimento regional estão vinculados às Instituições de Ensino Superior, sendo estes: o vetor qualificação, que somente se dá a partir de um ensino de qualidade; o vetor progresso que somente será constituído com direcionamento forte para a pesquisa e o vetor mudança que se dá com projetos de extensão bem direcionados para o conjunto de necessidades da região e da universidade. O modelo sugere ainda que justamente por termos, no país e no mundo, regiões heterogêneas, tanto em termos de composição como em termos de desenvolvimento, as necessidades com relação à qualificação; progresso ou mudança tende a variar, e esse modelo somente pode se apresentar como um ciclo que se mantém em constante desenvolvimento e onde as necessidades das regiões vão determinar qual terá maior ênfase inicial. O esquema gráfico do modelo pode ser visualizado na figura 2.



Figura 2: Modelo teórico – Inserção da tríade ensino-pesquisa-extensão no desenvolvimento regional

Neste modelo a força estruturante das competências para o êxito territorial se dá a partir do indivíduo. Conforme discutido anteriormente, as universidades tornam-se instituições pela ação individual na ação coletiva que as legitimam como fonte apta a auxiliar no desenvolvimento de uma região. Essa ação individual é o ponto fundamental. Os três vetores – qualificação, progresso e mudança – somente se desenvolvem com indivíduos que trabalhem por eles.

As demandas econômico-sociais de um determinado território devem ser diagnosticadas pela universidade. A partir dos indivíduos pertencentes à IFES e a sociedade se definem ações coletivas que irão nortear a tríade ensino-pesquisa-extensão, e suas prioridades para atingir o desenvolvimento regional. Os resultados obtidos com as ações coletivas, e consequentemente, com a qualificação, progresso e mudança gerarão um novo cenário territorial, onde emergirão novas demandas a serem diagnosticadas, as quais necessitarão de diferentes ações da tríade, formando um fluxo contínuo de demandas-ações- desenvolvimento. Neste contexto, as pessoas/indivíduos dos territórios tornam-se agentes ativos transformadores, independentemente de um padrão global de universidades e desenvolvimento.

O vetor qualificação está diretamente relacionado à utilização das competências dos indivíduos aptos a fornecer esta aos indivíduos que a buscam. Além disso, há uma tendência ao desenvolvimento quanto maior for o número de pessoas qualificadas a melhorar o mercado de trabalho.

Considera-se primordial um mercado de trabalho formado por indivíduos competentes e habilitados para as funções que desempenham. Essa necessidade destaca-se cada vez mais nas pesquisas na área de gestão de pessoas. Estas pesquisas misturam-se, em muitos casos, pelos conceitos qualificação/competências. Porém, fica evidente que existe uma intensificação do argumento de que deve haver uma extensão do período de formação das pessoas; para que estas busquem maior qualificação. Essas afirmativas são sustentadas por argumentos de maior chance de inserção no mercado de trabalho (DUBAR, 1998; MANFREDI, 1999).
No entanto, não há um consenso nestas pesquisas sobre como tratar a questão da qualificação. Existe uma importante discussão sobre a substituição do termo qualificação – com essa conceituação – pelo termo competência, pela questão de tratar qualificação como as qualidades/habilidades do trabalhador; porém o termo qualificação parece mais adequado ao contexto aqui apresentado. Em 1974, com a Teoria do Capital Humano, Schultz argumentou o quanto deve ser considerado importante o progresso do conhecimento e a instrução das pessoas como fator fundamental para a formação dos recursos humanos (DUBAR, 1998; MANFREDI, 1999; LARANJEIRA, 2006).

A partir da concepção de qualificação, como necessária ao desenvolvimento fundamentado em uma forte formação de recursos humano, surgiram diversas políticas educacionais que incentivavam a formação de sistemas de educação profissional, os quais se vinculavam as demandas e necessidades dos setores mais organizados do capital e de suas necessidades. A história da formação dos sistemas de educação profissional no Brasil enquadra-se dentro da lógica da qualificação entendida como formação de recursos humanos para sustentar as necessidades do mercado de trabalho (MANFREDI, 1999).

As universidades, neste contexto, podem ser vistas como fonte geradora de qualificação para o desenvolvimento do mercado de trabalho. A necessidade de qualificação destacada pelas pesquisas em gestão de pessoas volta-se para um objetivo mais amplo, que se dá na forma como maior número de pessoas qualificadas é capaz de transformar-se em competência territorial e consequentemente em êxito territorial.

Já o vetor progresso vem do desenvolvimento da pesquisa dentro das universidades. Atualmente, as universidades passam por um processo de exigência constante pelo desenvolvimento de pesquisa e os órgãos de fomento apenas reconhecem aquelas que conseguem habilitar-se com grupos e projetos estabelecidos. Assim, as universidades empenham-se em cumprir todos os pré-requisitos e incentivam docentes, técnicos e acadêmicos a trabalhar em prol de pesquisas de qualidade e aumento do número de publicações. Essas pesquisas consolidam-se com a busca de problemáticas oriundas da realidade que cerca os pesquisadores, sendo assim, devem dar respostas a essas problemáticas oferecendo alternativas de progresso, como por exemplo, a identificação de melhorias em nível de tecnologias que permitiriam aumento de produção em um determinado setor.

O erro muitas vezes está em não perceber que estas mesmas pesquisas podem oferecer progresso a região onde estão instaladas se os indivíduos envolvidos voltarem seu olhar de pesquisador especificamente para esta região. A partir desta visão ampliada para as necessidades locais, as IFES poderão beneficiar-se com focos de pesquisa e auxiliar na construção de um ambiente de evolução através dos resultados e da proposição de novos focos de investigação científica. O progresso vem de uma construção que perpassa verificar na região problemas de pesquisa pontuais; mas sim de encontrar respostas a estes problemas e ser capaz de com isso, sugerir soluções que permitam melhorias naquelas questões e transformem as regiões deprimidas em regiões em desenvolvimento.

A questão do progresso tem vínculo com o vetor da mudança, pois os resultados de uma pesquisa podem (e deveriam em uma situação de completa integração da tríade) gerar ações de um projeto de extensão e vice-versa. Se considerarmos a máxima de que progresso se dá também com mudança, em algumas regiões o processo de mudança direcionado pelos projetos de extensão deveria ocorrer antes das tratativas com relação ao progresso, oriundas da pesquisa, ou pelo menos, concomitantemente, visto que, os projetos de pesquisa, conforme já mencionado, tendem a oferecer em suas conclusões respostas aos problemas identificados no meio de inserção das mesmas.

A questão do papel extensionista das Universidades e da importância de uma construção forte de projetos assim é debatida no que diz respeito a exigências feitas às universidades (MEC, 2009). No entanto é pouco relacionada, como feito neste modelo, ao fato de que os projetos de extensão das universidades podem influenciar positiva e quantitativamente mudanças nas regiões onde as universidades estão inseridas.

As universidades falam em extensão e ao mesmo tempo constatam a dificuldade de inserir estes projetos em suas pautas diárias de trabalho. É preciso uma melhor compreensão a respeito do que venha a ser fazer extensão na universidade, de como as pessoas, parte das IES, podem se inserir na sociedade com projetos que provoquem mudanças em auxilio ao desenvolvimento regional. Cria-se como objetivo tratar as competências das pessoas das IES como um benefício se utilizadas em projetos de extensão bem elaborados e que envolvam todos os indivíduos desse contexto.

Cabe aqui, dar mais uma vez destaque ao fato de que a força estruturante das competências para o êxito territorial se dá a partir do indivíduo neste modelo. São as pessoas, sejam elas integrantes do meio institucional das universidades ou não, mas inseridas na região da qual essas instituições fazem parte, o meio pelo qual os vetores (qualificação, progresso e mudança) podem ocasionar o êxito territorial. No tópico a seguir são apresentadas algumas considerações finais, principalmente no que se refere à forma como este ensaio refletirá na tese de doutoramento da autora.

Considerações finais

A proposta deste ensaio foi apresentar um modelo teórico que explique de que modo as Instituições de Ensino Superior, a partir dos agentes que as constroem - as pessoas - contribuem para o desenvolvimento regional. Partindo das discussões acerca das competências territoriais e de quanto podem as instituições inseridas em determinados contextos contribuir para o êxito territorial foi concebido um modelo fundamentado na tríade ensino – pesquisa – extensão.

Este modelo sustenta que a partir desta tríade, três vetores aparecem como as competências territoriais fundamentais do modelo: qualificação, progresso e mudança. Esses vetores sustentam-se no papel que as pessoas têm de torná-los competências formais para o êxito, garantindo o papel das IES de contribuir para o desenvolvimento regional. Cabe destacar que estes vetores não são as únicas competências territoriais que uma região pode desenvolver, no entanto, são fundamentais na relação aqui construída.

O modelo construído pela autora neste ensaio poderá servir de orientação para os futuros encaminhamentos de pesquisa da mesma, bem como de outros pesquisadores envolvidos com a temática, considerando que são necessários ainda, aprofundamentos no que se refere à melhor forma de executar esta proposta.